quinta-feira, 5 de maio de 2011

A CRISE DO SÉCULO XVII



Luciano Braga Ramos
Resumo
O objetivo desse trabalho, esta em fazer a relação entra a Crise do Século XVII, e as condições que levaram à Revolução Burguesa na Inglaterra do século XVII, comentando a perspectiva histórica dos autores abordados no trabalho. Fazendo assim uma síntese do período, para sua melhor compreensão.
Palavras chave; crise, revolução, feudalismo, capitalismo, burguesia.
A Crise do Século XVII, e a Revolução Inglesa
Alguns autores dão muita ênfase aos problemas, militares como causa do enfraquecimento da nobreza e a possibilidade de ascensão da burguesia. O autor Eric Hobsbawm, (1998,) trás uma visão diferenciada, onde o autor procura fazer uma análise marxista dos fatores que colaboraram para a "crise do século XVII".
A crise foi uma crise no aumento da superação das praticas econômicas feudais, onde o aumento das forças produtivas leva a desestruturação do modo de produção feudal, dando passagem ao capitalismo, porém um capitalismo mercantil que vai ser a base para a implantação do capitalismo industrial no século XVIII.
O autor em seu trabalho questiona, porque a Revolução Industrial não encontrou terreno para se desenvolver no século XVI? Entende-se que é justamente por ser um período de transição do feudalismo para o capitalismo, um momento em que a Expansão Marítima, aliada as medidas mercantilista, vão ser importante para o acumulo de metais, e é nesse acumulo de metais no século XVI, , que dá sustentação, fazendo nascer dentro do mundo feudal com sua economia de subsistência o capitalismo, que dando seus primeiros passos já se mostra desarticulador do sistema feudal.
Sendo assim o autor argumenta que para o capitalismo se desenvolver, a rigidez do sistema feudal terá que ser quebrada, entra muitos fatores que contribuíram para a crise podem ser analisados problemas como a formação das corporações de oficio, entravando a competição entre produtores, e sabemos que o capitalismo é estimulado pela competição. Também os mercados locais autárquicos e com uma mão de obra não assalariada, enquanto o capitalismo incentiva e somente possibilita ao proletário vender mão de obra, porem, um fator importante era que o sistema feudal produzia para a subsistência, e para o sucesso do capitalismo, era preciso estabelecer-se em sua base, a produção em massa.
Então conforme o autor só haverá uma saída para a crise quando , ou só houve uma saída para a crise quando o capitalismo implantar suas bases próprias (mão de obra assalariada, produção em massa e a intensificação de um comercio externo), pois a crise se deu por esse sistema ter nascido dentro de estrutura econômica e política feudal. Pois a Revolução de 1640 na Inglaterra foi uma via de mão dupla, originou-se na Crise do Século XVII, e foi a ascensão para o capitalismo.
Já para Paulo Miceli (1994) em seu trabalho "As Revoluções Burguesas" faz uma análise das condições materiais do povo na Inglaterra do século XVII e da França do século XVIII, embora um período separado por quase ou mais de cem anos, o autor enxerga ai motivos para que, dada a situação dos agentes históricos, estabeleça-se bases para um discurso revolucionário.
É claro que esse discurso revolucionário, dentro de uma perspectiva social estática, com levas de famintos e doentes, encontrou terreno fértil para suas idéias. Discurso esse que se sabe em ambos os casos partiu de uma burguesia ambiciosa por conquistar direitos políticos e econômicos pela queda do absolutismo.
Tentando sintetizar o que o autor quer mostrar, pode-se compreender que o panorama social, entenda-se povo, era caótico havia falta de alimentos como o pão que era à base da alimentação os preços era altíssimo, as expulsões dos campos pelos cercamentos fizeram as cidades aumentarem, e com a pressão demográfica pessoas se acomodavam em casas de um cômodo só, formando um ambiente propicio para doenças. Nesse contexto, muitos caiam em embriagues, e às vezes até para matar a sede, pois as águas dos rios já eram poluídas pelos resíduos das fabricas. Também a bebida era uma maneira de esquecer um pouco a miséria, e até se arranjava algum dinheiro com as garrafas vazias, sem falar nos corpos mal vestidos, pois muitos apenas portavam uma muda de roupa.
Outro fator dessa realidade era a mendicância. Por todos os lados havia mendigos, a ponto de se criarem leis para a mendicância. Cada paróquia cuidava de seus mendigos, esses não podiam sair de seus locais de origem, e até mesmo se proibia de mendigarem com repressões e detenções, amputações e enforcamentos.
O que importa aqui e destacar que dentro desse contexto de miséria o capitalismo encontrava seus braços para o trabalho, uma reserva de mão de obra. Mas também uma massa de manobra importantíssima que devido a sua realidade social, estava aberta ao discurso burguês de dias melhores. Percebemos assim os sujeitos, os receptores, as condições materiais e espirituais dessas sociedades, Inglesa que é o nosso foco ,mas poderia servir para à francesa , e como esses fatores foram importantes para a possibilidade de se fazer "as Revoluções", ou seja não se faz revolução sem conteúdo social.
Se tratando da situação da Inglaterra para compreendermos seu desenvolvimento social época da Revolução Inglesa, temos que lançar um olhar para os conflitos religiosos da época. A idéia protestante diferentemente da católica, ela é mais pratica atende aos interesses mais econômicos, se, contudo desligar-se do espiritual. Não se pode dizer que os puritanos são menos crentes que os católicos por suas atitudes mais praticas, é pelo contrario, a questão da predestinação para aquela mentalidade era coisa seria, eles eram convictos de que os homens são predestinados e que suas medidas econômicas são para glorificar a obra de Deus. Pois nos temos que procurar ver essa idéia a partir da visão de mundo da época, a partir da visão dos puritanos daquele contexto, para não atribuirmos valores que são nossos para aquela época.
Pois se assim não fosse, como explicar o fanatismo religioso dos puritanos, e uma vida de privações. Como foi possível Cromwell recrutar e arregimentar seu "exercito modelo" dentro dessa perspectiva se essas pessoas não estivessem convictas de sua crença daquilo que para eles eram desígnios de Deus.
O puritano este é mais ligado a elementos calvinistas que elegem ou não, mas todos são criaturas de Deus, mas o eleito, ou seja, o que tem posses é porque Deus o quis assim, então o trabalho e o acumulo de lucro, é para manter o individuo a onde Deus o colocou, fazendo assim eles acreditam não estarem caindo na usura, mas sim, glorificando aquele que os escolheu.
Agora o protestantismo, por suas pratica colaborou para as nações que o adotaram, lançar-se à frente dos países católicos, que viram sua economia
travar na ética católica. Um exemplo disso é a Inglaterra.
Na obra de arruda (1998), entre os aspectos econômicos políticos e sociais, a dimensão econômica nos parece o ponto de partida para compreendermos os aspectos das demais demissões sociais dentro desse contexto trabalhado. A economia é o centro das transformações e que de certa forma vai influenciar diretamente nas mudanças das outras estruturas.
O período anterior ao período da Revolução Inglesa, dentro do século XVII é, o momento da própria "Crise do Século XVII". Economicamente o país vivia os entraves da economia de subsistência feudal, como já foi dito anteriormente, mas num momento de transição para o capitalismo que por sua vez encontrava entraves nas corporações, e nos monopólios concedidos a uma parcela da burguesia que apoiava o rei. Esses monopólios tornavam o custo de vida caro, principalmente aos pobres. Eram concedidos monopólios para o alume, arrenque, sal, lã, e produtos de primeira necessidade.
Anteriormente aos cercamentos, os servos levavam uma vida mais amena em relação à sua expulsão da terra. Pois tinha uma propriedade que passava para seus filhos, tinha habitação e alimento, e a proteção do senhor.
Porém na Inglaterra o rei sempre tratou com outros senhores como soberano diferente da França onde o rei era suserano. Então para atender os interesses da burguesia o rei apóia os cercamentos e garante o apoio contra as ultimas casas feudais. Assim a criação de ovelhas passou a ser um atrativo para os ingleses, e com a crescente indústria têxtil. Era preferível produzir lã e expulsar os camponeses, que por sua vez vão engrossar as fileiras de trabalhadores assalariados das cidades onde estão se desenvolvendo as indústrias. Thomas Mours, na Utopia, vai dizer que a Inglaterra é um estranho país onde ovelhas devoram homens.
A base da economia vai ser a indústria têxtil, as terras ocupadas com ovelhas, há uma diminuição na produção de alimentos tornando-se mais graves as condições de vida da população.
Outro setor que vai ser prejudicado com essas medidas era a pequena burguesia que não encontrava espaço para se desenvolver, pela conseqüência dos monopólios concedidos à alta burguesia que apoiava o rei. Com os cercamentos o rei acabava perdendo seus súditos, e então houve uma tentativa de controlar o processo de cercamentos, mas pouco mudou, levando o rei a cobrar mais impostos sobrecarregando outros setores contribuindo para minar as bases da monarquia.
Dentro da Inglaterra não se pode falar de uma nobreza homogênea, pois o que estava em jogo são os interesses comerciais. Havia uma nobreza conservadora, que apoiava o rei. Este encontrava apoio na alta burguesia. No Parlamento A Câmara dos Comuns era composta pela pequena burguesia, que encontrava apoio de uma nobreza empreendedora com interesses liberais, é neste seguimento que esta a disposição para uma mudança política e econômica. A economia já esta nas mãos da burguesia, porém a política era absoluta nas mãos do rei que concedia monopólios, cobravam impostos, descontentando parte da pequena nobreza e burguesia. A Coroa por sua vez acabou ficando na dependência de seus colaboradores, pois ela não tinha um acumulo suficiente de divisas e nem um exercito permanente, suas relações com os países católicos, permitiu que paises como a Espanha prosperassem economicamente, a Holanda dominasse o transporte marítimo, isso limitava o crescimento da economia.
Já havendo liberdade econômica, no sentido de que os burgueses, e suas idéias capitalistas encontravam terreno, o importante agora no momento da Revolução de 1640, era buscar mais flexibilidade nas relações políticas, quebrando monopólios e privilégios. Por isso que a Revolução é uma encruzilhada para a ascensão definitiva do capitalismo, era necessário destruir os resquícios feudais que entravavam a economia, e estes estavam nas mãos do rei, não se queria num primeiro momento cortar a cabeça do rei, e nem destituí-lo do trono, mas perante a inflexibilidade real não se teve outra saída.
Pode-se dizer que as vésperas da Revolução, a economia estava entravada no absolutismo político, a burguesia que fez a revolução apoiada pelo povo, tinha interesses próprios, configurando-se após a guerra civil como uma Revolução burguesa, que esfria após seus objetivos políticos e econômicos serem alcançados, e ficando o povo diante de um processo que para ele pouco mudou sua situação econômica, de mão de obra para a industria têxtil e umas agriculturas capitalistas, que seguiram cheias de injustiças. Porém economicamente os dez anos de república colocaram a Inglaterra em posição de potencia no mundo, e seus resultados vão se concretizar com a Revolução Industrial.
Referência:
ARRUDA, José Jobson de Andrade. A Revolução Inglesa. SP: Brasiliense, 1988.
HOBSBAWM, Eric J. . A crise geral da economia européia no século XVII. In: Santiago, Do Feudalismo ao Capitalismo. SP: contexto, 1998.
MICELI, Paulo. As Revoluções Burguesas. São Paulo: Atual, 1994.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Conceito de cultura

  Em Síntese Um Conceito de Cultura,(Texto didático)
 Luciano Braga Ramos
        A cultura é um processo cumulativo de conhecimentos, das mais variadas manifestações do homem em seu respectivo grupo. É o conjunto de praticas e representações, hábitos e costumes de determinada sociedade, como o nascimento, a religião, os hábitos alimentares e sexuais, as vestimentas, a maneira como anda senta, sorri e choram, seus rituais fúnebres, a maneira como modifica e se beneficia da natureza para sua sobrevivência.

            Mas levando em consideração que a cultura é dinâmica e se difundi para fora de seu respectivo grupo, ocorre o que conhecemos por aculturação. Sendo a cultura um conjunto de hábitos e costumes de determinada sociedade, ela pode apresentar-se como: cultura material e cultura imaterial, ex: produção de ferramentas ou comportamento social e religioso entre outros.

Sugestões de leitura e referência: Roque de Barros Laraia, Cultura Um Conceito Antropológico, 2005

MATERIALISMO DIALÉTICO

MATERIALISMO DIALÉTICO (texto didático)
Luciano Braga Ramos
            Marx e Engels mostram com sua tese do materialismo dialético, que não são as idéias que movem a sociedade, e que o desenvolvimento social não é um processo mecânico e estático.
            Para esses pensadores o fundamental era analisar o desenvolvimento histórico do homem, era preciso levar em conta os fenômenos de produção, ou seja, não são as idéias e leis de causa e conseqüência, ou um processo linear ininterrupto que estabeleciam o processo histórico e social do homem, e sim as relações que o homem tem com a natureza através de sua transformação, e as relações que esse mantém com outros homens como ser social é que vão condicionar o desenvolvimento da sociedade
            Para Marx e Engels o processo histórico é dinâmico e dialético, ou seja, cada relação social traz dentro de si o principio de sua própria contradição, favorecendo a luta de classes com suas idéias opostas
            Marx argumenta que a economia é que move a sociedade, e consequentemente a História, pois cada vez que um incidente histórico ocorre, ele esta vinculado a um fator econômico, é sempre uma luta pelo poder econômico, problemas políticos, religiosos, e artísticos são questões secundarias, são complementos articuladores da administração econômica vigente.
            Política, religião, e arte vão servir a classe possuidora para manipular o desenvolvimento das relações sociais e tornar as massas submissas ao sistema.
            Sendo assim, estes pensadores nos mostram que o que rege uma sociedade é o materialismo, e que o espiritualismo é secundário para a vida humana. O homem necessita comer, beber, vestir-se e ter moradia.
            Por isso que na sua luta entre burguesia e proletariado, o fim da classe burguesa colocaria todos em igualdade.
            Para Marx era necessário que o Estado também tivesse um fim, pois o Estado favorecia a desigualdade social pelas suas idéias de família, religião, amor a pátria, ordem e progresso que só fazia enriquecer cada vez mais a burguesia, colocando o proletariado em situação de passividade por obediência aos costumes forjados por essa sociedade.
            Pelo Materialismo Dialético a necessidade de se possuir bens e um vivencia digna é que move as relações entre os homens e movimenta a sociedade em seu processo histórico-social.

Sugestão de leitura e referências: O manifesto do Partido Comunista;
A ideologia alemã; O Capital.

PODER

PODER (texto didático)
Luciano Braga Ramos

            O poder pode ser entendido entre suas várias facetas, como algo criado com o objetivo de uma instituição, independente do grau de classificação dentro de um grupo social, como veículo manipulador social que busca sua legitimação a partir das práticas e representações para criar uma idéia ou aceitação dentro de um grupo determinado.
           
            Assim justificando suas práticas, subordinando os que deste grupo e sociedade participam, que ficam muitas vezes sujeitos as normas e regras manipuladas pelos sujeitos que constituem a base e a ordem desse poder. Sendo natural esses sujeitos encontrarem obstáculos dentro do grupo por poderes paralelos que interagem socialmente.
           
            O poder é exercido pelos sujeitos assim, como sofrido por estes. O poder está na família, na comunidade, em grupos da sociedade, nos governos, sendo que cada instituição carrega consigo seus subgrupos de poderes, ou poderes paralelos expostos ou subjacentes dentro de uma mesma sociedade.
           
            Em suma, o poder se estabelece dentro do meio em que o homem está inserido como prática dos sujeitos e das instituições manipulando e controlando massa e indivíduos em prol de uma idéia comum, que visa atender as necessidades de pessoas e grupos que vivem em sociedade.

Sugestão de leitura e fonte de refêrencia: Foucault e o poder.

terça-feira, 26 de abril de 2011

GRAVATAÍ, O PORTO DAS CANOAS EM MEADOS DO SECULOXX

                                                                                                                   
Luciano Braga Ramos
RESUMO
Se espera com esse trabalho encontrar uma explicação para as modificações de Gravataí, no período de 1930 à 1975, elucidando os aspectos que estão mudando o Brasil e suas consequências para o Rio grande do Sul, com o foco para o Município de Gravataí.


O Porto das canoas, em meados do século XX.
1. O Porto das Canoas, e a nova conjuntura econômica e social a partir de 1930.
A queda do Império do Brasil no final do século XIX, e a proclamação da republica, não significoupara a sociedade brasileira de uma maneira geral mudanças significativas no âmbito econômico e social, apenas representou no inicio do século XX a confirmação e aumento do poder das oligarquias rurais, essas mesmas que ambicionavam o poder político, e geravam varias disputas partidárias pelas regiões do país, entravando a modernidade e industrialização concentrando a renda no campo e em mãos de poucos e mantendo relações de trabalho não capitalista, no sentido de negar direitos e mantendo peões sub assalariados.
No inicio dos anos de 1930 ocorrem mudanças políticas importantes, que vão mudar o Brasil economicamente e socialmente, com o aparecimento de uma classe media, o incentivo da industria, o interesse dos políticos de manipular as oligarquias rurais favorecendo parcialmente a ascensão de uma burguesia capitalista. Onde no Rio Grande do Sul, vai ser evidente as transformações nos modos de produção e nas forças produtivas.
O modo de produção corresponde à forma como uma sociedadeutiliza seus recursos naturais, transformando-os, para formar assim, através das relações sociais, a base econômica de sua sociedade, pelo desenvolvimento das forças produtivas que são o condicionador do desenvolvimento produtivo. Pois de acordo com Marx, até certo momento as forças produtivas determinam as relações de produção. Porém o desenvolvimento das forças produtivas levaria a uma contradição crescente em relação ao modo de produção, que a partir de certo momento passariam a ser obstáculos a sua expansão. [Marx, 2002, p. 50]. No Rio Grande do Sul, até 1930, com um modo de produção pré capitalista, com o emprego de recursos precários para a produção de manufaturas.
Essa é uma visão geral da situação brasileira no inicio do século XX, que se transporta para um contexto regional e dentro do município de Gravataí, e que se tornam para o entendimento e interesse pelas mudanças que partiram do modelo nacional e afetaram a vida da população local, mudando aspectos econômicos e sociais, inserindo Gravataí que antes era local onde predominava uma agricultura de aspecto colonial e um meio de transporte para escoamento da produção, como o porto das canoas, que atendia as exigências desse transporte tanto de mercadorias como coletivo, para uma agricultura capitalista e industrializada que aos poucos foi mudando os modos de trabalhos locais que até os anos de 1950, vai cada vez mais atingir índices capitalistas de produção.
Não é novidade para ninguém que devido à precariedade das estradas brasileiras, problema esse que sempre foi patente nas nossas cidades e interior, em Gravataí ate a década de 1930, seu acesso à capital, assim como seu processo de transporte e escoamento da produção se tornava praticamente inviável por via terrestre. Então o Rio Gravataí, foi uma via geograficamente importante para o desenvolvimento da cidade, desde seus primórdios, e até ao anos 40 do século XX.
"Uma visão geral da evolução histórica do sistema de transporte no Brasil, entre 1850 e 1950, mostra-se sua precariedade. [...]. Ate o advento das ferrovias as mercadorias eram tradicionalmente levadas aos portos em lombos de burros, cuja utilização decrescia na medida da entrada daquele novo meio de transporte na região produtora. Entre tanto, a expansão da rede ferroviária, apesar de relativamente rápida em termos absolutos cobria uma área de fato pequena. [...] em 1948 são muito pouco se levar em consideração os milhões de quilômetros quadrados do território do país," [Linhares, 1990, p. 308].
A região de Gravataí onde na década de 1930 acha-se o Porto das Canoas é destituído de vias férreas e estradas de rodagem, (a primeira estrada e de 1934 ligando o município à capital). Porem o tipo de produção agropecuária dessa região tem seu escoamento garantido satisfatoriamente pelo Porto das canoas com suas embarcações tocadas à vara e com as denominadas gasolinas, transportando produtos e pessoas até a capital. Dava-se também bastante importância para as carretas de boi que era como se transportava os produtos das propriedades até o centro de Gravataí, onde eram vendido aos comerciantes, proprietários das tulhas, que eram deposito e armazéns na praça central da cidade, de onde eram reembarcadas em outras carretas para serem transportadas ate o Porto das Canoas, e dali eram embarcadas rumo á Porto Alegre. (ainda hoje é possível verificar no local onde era o porto, os alicerces das tulhas e depósitos, assim como as muretas de atracarem as embarcações às margens do porto no local conhecido atualmente como Passo das Canoas.
" As gasolinas traziam mercadorias para os comerciantes que tinham depósitos no Porto das Canoas como, Pedro Dutra, Acácio Soares, Ary tubbs e outros." [Rosa, 1987, p.80]. O grande destaque era dado para a farinha de mandioca produzida nas inúmeras atafonas espalhadas pelo município, ate os anos de 1930 foi o motor da economia de Gravataí, e esse tipo de mercadoria fazia parte de uma pecuária com características coloniais com técnicas rudimentares de produção, que por fatores políticos e econômicos, ocorridos a nível nacional , com A Revolução de 1930 vai começar a ressentir-se a partir de 1940, enquanto outros produtos de uma agricultura capitalista voltada para os interesses econômicos nacionais vão encontrar incentivos, numa modernização ou renovação das forças produtivas, que emanam do centro para periferia. Assim como a nova conjuntura governamental, a nível nacional que se da com a ascensão de Vargas à presidência da Republica.
"Ao iniciar-se a Nova Republica, o Rio Grande do Sul [...] com sua economia [...] baseada na agropecuária abastecedora do mercado interno nacional e, secundariamente do comercio internacional. [...]. "celeiro do país" atribuído ao Rio Grande do Sul. [Pesavento, 1980, p.51].
Nesse sentido o Porto das Canoas foi essencial ate os anos de 1930 e 1940, porque era e sempre foi ate esse período, adequado com a realidade econômica e social local. Porém os anos trinta é um momento de transição nas antigas relações agrárias, e também com o crescimento das industrias no Brasil, e o aparecimento tanto da classe media, como a classe operaria, sobre tudo na região paulista, o mercado sul riograndense na ótica do governo federal tem que se tornar definitivamente o "celeiro do Brasil", sendo assim introduzida e incentivada uma agropecuária dentro de um viés capitalista. Desmancham assim as praticas de cultivos de produtos do período colonial, que eram menos lucrativos e não atendiam as exigências e necessidades nacionais, o governo financia o plantio de produtos como feijão, arroz batata, soja e fumo em folha, provenientes de uma agricultura capitalista.
"Antes de 1930, apresentava-se o quadro de um governo oligárquico e de uma fração das camadas dominantes agrárias, após 1930, encontra-se um governo para a "burguesia", no atendimento aos problemas nacionais. [...] no decorrer deste processo, a industria ia se aprimorando como a nova e predominante força de acumulação de capital." [Pesavento, 1980, p.49].
Pode-se perceber até aqui os fatores e mudanças políticas e econômicas que acabaram por tornar o Porto das Canoas inviável ao escoamento da produção. Ou seja não era possível transportar arroz por exemplo em pequenas embarcações, pois essa é uma cultura em larga escala, não como a farinha de mandioca que poderia ser transportada em pequena quantidade, pios podia ser estocada em armazéns no porto, já o arroz precisa de silos mais sofisticados, nem se fala no gado , este só por terra para chegar ao matadouro em Porto Alegre. Pode-se observar na obra de Jorge Rosa, [1987, p.80] a fotografia de uma trilhadeira da Granja São Luiz, datando de 1950, atravessando o Passo dos Negros entre Gravataí e Viamão, dando mostras da introdução de inovações para a produção do arroz.
Essas novas culturas vão precisar alem de incentivos fiscais, da produção de novas forças produtivas, pois já que representa uma mudança considerável no modo de produção, que antes era praticamente uma produção colonial, e agora estava se tornando uma produção para o mercado capitalista. E o Porto das Canoas enquanto força produtiva que pertencia a um modo de produção que se encontrava em vias de transformação, vai acabar gradativamente, sendo superado por novas forças produtivas que estão se estabelecendo dentro de um sistema econômico que esta em fusão, devido à tão conhecida capacidade dinâmica de superação dos modos arcaicos de produção, que sempre tendem a serem engolidos pelo modo de produção capitalista.
"[...] governo Flores da Cunha, desde 1932, fora uma política de desagravação fiscal. [...], destacando seu empenho no desenvolvimento de instituições publicas, saúde, criação do Instituto de Previdência do Estado(IPE), construção de estradas de rodagem, reparação de pontes, prolongamento de vias férreas, [...] inicio da construção do Frigorífico da Capital [...] matadouro modelo e do entreposto de leite de Porto Alegre." [Pesavento, 1980, p. 124; 137].
Estão ai desencadeadas as forças produtivas desse período, que substituem as antigas dentro do município de Gravataí, que por conseqüência vão alterando seu modo de produção, sobretudo chamam a atenção para a construção de estradas e pontes ligando a cidade `a capital, em 1934, promovido por Flores da Cunha. O foco produtivo agora por esses novos caminhos será, o gado, o arroz, e o leite, produto que atendem a nova ordem economia, alem da estrada pavimentada servir ao transporte de pessoas.
Assim o Porto das Canoas vai perdendo sua significação econômica e em conseqüência social, porém segundo dona Terezinha oliveira, filha de Adão Duarte, que trabalhou nas embarcações do porto na primeira metade do século XX em entrevista ao correio de Gravataí em 2006, confirma o funcionamento do porto ate 1948, transportando tijolos, telhas, verduras e outros produtos de pequeno porte, ate ser consumido pelas novas tendências e rumos que a economia e a sociedade foram tomando de 1930 em diante, com aspectos de modernização irreversíveis para Gravataí, que começa ai seu caminho ao crescimento dentro da nova ótica política nacional, e para o presente resta-nos tentar salvar os objetos , os documentos e as falas desses personagens, para construirmos a partir dessas memórias e objetos da cultura dessa época a historia e identidade de povo de Gravataí.
2. Memória das Águas, 1948 o final do Porto.
A Cultura de uma época, de determinado grupo, seja cultura material ou imaterial, chega ate nos pelas representações do passado, que se preservam na nossa sociedade pelo interesse que membros de uma sociedade tem em mantê-las, pios isso depende de um intrincado jogo de poder e interesse de parte da sociedade. É por esses vestígios de cultura de uma determinada sociedade, que se estabelece ou se constrói a Memória.
Memória pode ser considerada como representação do passado, lembranças de quadros sociais significativos, que servem de ponto de referencia do grupo que a mantém viva no presente. Pois a memória só chega viva ao presente, se há o interesse de grupos em mantê-la para a construção de uma identidade social. A Memóriaé resgatada pelos objetos materiais e testemunho oral.
A relação entre Cultura e Memória, se processa pela construção da identidade de Memória de um grupo, associado à produção cultural de representante quadro social significativo. A Memória mantém vivo os traços culturais do grupo para o presente, servindo para explicar a dinâmica cultural da sociedade. A Memória pela preservação dos traços culturais serve de suporte para a Historia, que vai selecionar, questionar, e refletir sobre as Memórias. "A Memória por seus laços afetivos e de pertencimento, é aberta em permanente evolução e liga-se a repetição e à tradição, socializando a vida do grupo social. A Historia ao contrario, dessacraliza a Memória, constituindo-se tão só em representação do passado." [Felix, 1998, p.43].
Nesse sentido escrever sobre a Historia do Porto das Canoas, dando voz para esses agentes preservadores dessa Memória pela tradição oral, é a contribuição essencial para se construir a Historia a partir dessas representações tanto orais como materiais. Assim sendo através das falas desses agentes, com aquilo que ainda podemos contar, como vestígios materiais, busca-se preservar a Memória coletiva dessas pessoas e de seu passado, de maneira que se possa auxiliá-los na construção de suas identidades.
Pois se entende que falar sobre esse tema, assim como qualquer outro tema, não é analisar o fato simplesmente pelo fato, mas sim notar todos aqueles elemento que dão sentido para explicação histórica. Ou seja o Porto das Canoas foi constituído de cais, de armazéns, mas também de pessoas, de agentes sociais, que se relacionavam, que viveram determinado contexto histórico importante para nossa identidade, contexto esse que precisa ter suas representaçõesresgatadas, para não ficar no esquecimento.
E por outro ladoassim preservamos um patrimônio material e imaterial, já que percebe-se que este tema os dois elementos, pelos documentos ainda encontrados e pela oralidade dos agentes ainda presentes, ou seja essa memória se constitui também enquanto patrimônio desde que não caia no esquecimento, e é esse nosso objetivo maior. Para Reginaldo Gonçalves (2003). Patrimônio pode ser entendido como: bens de natureza materiais e imateriais, tomados individualmente, ou em conjunto, como é o nosso caso, e são os portadores de referencia à identidade, à ação, à Memória dos grupos humanos.
Em nosso trabalho foi possível abordar tanto a Historia oral como a documental, assim como o patrimônio material, como, os documentos, bibliografias imagens e objetos desde muretas e alicerces no local do porto, como o patrimônio imaterial que se constitui na fala das pessoas que vivenciaram ou foram testemunhas desse passado, como é o caso de seu Adão Duarte e de sua filha Terezinha Oliveira que se disponibilizaram a relatar suas memórias para a construção desse registro histórico.
É a partir dessa oralidade que se percebe a importância desse trabalho em resgatar esse recorte significativo para essas pessoas, percebe-se em suas falas o quanto esse local foi importante para a economia da época, como constam nos documentos e como essas falas vão de encontro ao testemunho dos documentos oficiais. O jeito como dona Terezinha se referiu a seu pai, trabalhando nos lanchões tocados à vara, parece que estamos vendo a cena das embarcações chegando ao porto, assim como ouvindo o rangido das carretas de boi chegando aos armazéns do cais tamanho a veracidade daquela narrativa de pessoa que realmente se emociona ao tocar no assunto. Devido ao estado de saúde de seu Adão que se emociona facilmente, e sua avançada idade, 82 anos, deixamos a critério de dona Terezinha sobre o que seu pai quisesse falar e como falar, sobre sua vida no porto:
A: "Tinha bastante movimento, de chegada e saída de embarcações."
A: "Os produtos transportados de lá para cá eram areia e cascalho, daqui para la eram tijolos e farinha que eram transportados através de carretas puxadas a bois."
Quando ele se refere aos nomes das embarcações ele nos fala de três entre muitas.
T: "que ele lembra Santa Vitória do Palmar, Marina, Edi."
A: "Começou a diminuir os movimentos por volta de 1948."
L: E sobre as pessoas que trabalhavam no Porto?
T:"Algumas que ele lembra que trabalhavam Alcides [...]."
T: "Observação na época que meu pai trabalhava com 10 anos, os barcos eram tocados a vara.sendo assim muito difícil de navegar.
Anos mais tarde começaram a vir os barcos a gasolina e assim tudo ficou mais fácil."
T: "O meu pai também carreteava trazendo farinha da Vila Nova para cá." [Terezinha Gomes Oliveira; Adão Duarte, entrevista concedida a Luciano Braga Ramos acadêmico de Historia da UBRA Gravataí no dia 07 de abril de 2006].
Percebe-se o envolvimento dessas pessoas e como suas vidas foram durante bom tempo dedicadas à função econômica que o Porto exercia nesse local, e como era dinâmica para à época esse comercio e sua ligação com as cidades vizinhas e do interior e com a capital. Esse comércio movido aqui de idas e vindas, também nos aparece em registros de alfândega, que hoje se encontram no museu Agostinho Martha em Gravataí.
Nota-se pelas falas as relações entre comerciantes e trabalhadores, carreteiros, estivadores, donos de olaria, e navegadores, e como esse local servia também como ponto de trocas de noticias e informações, assim como experiências, nas relações humanas convenientes para a época, no que se refere à economia política e sociedade, já que ate ele vinham pessoas de Osório, Santo Antônio da Patrulha, Viamão , do próprio Gravataí é claro, ao mesmo tempo que chegavam pessoas de Porto Alegre, no transporte de passageiros, como médicos, advogados,,entre outros e também mercadorias para abastecer o mercado interno. [Rosa, 1987.].
Pela entrevista fica claro também as transformações e evoluções técnicas nos transportes, assim como a notável decadência do Porto por volta de 1948, comprovando que as bibliografias nos apontam, e como esse local vais perdendo uma significância como fator de circulação da economia e em conseqüência entrando no esquecimento.
Em 5 de fevereiro, de 2006 Terezinha Oliveira também concedeu entrevista ao Correio de Gravataí como já foi mencionado no inicio do trabalho. A moradora é dono de um comercio na comunidade do Passo das Canoas, reafirma suas memórias do tempo do Porto movimentado e de quando seu pai Adão Duarte trabalhava no Porto do Passo das Canoas.
"As recordações da moradora vão mais longe. Seu pai Adão Duarte, atualmente com 80 anos trabalhava no Porto do Passo das Canoas. "Meu pai carregava de tudo naqueles barcos. Levava para fora de Gravataí e quando voltava trazia outras cargas. Ele conta que o Passo das Canoas era muito movimentado." "Recorda" [Correio de Gravataí, 2006, p.17]. Local que ate então era uma artéria para o desenvolvimento dessa região, e agora a Memória busca recuperar essas representações para se fazer a História.
2.1 A Festa dos Navegantes e o inicio dos anos de 1970.
Gravataí, ainda freguesia foi fundada sob os cuidados da fé católica, e não poderia ser diferente, mas aqui a religiosidade se fez presente desde o inicio principalmente pela chegada de índios missioneiros após o tratado de Madri e das Guerras guaraníticas, que por sua vez também fossem desviados os rumos dos imigrantes açorianos, que devido à guerra na região das missões acabam se estabelecendo na região de Porto dos casais e circunferências, ate o litoral norte, por motivos que já se conhece, tanto guaranis como açorianos nessa época já compartilhavam da mesma religião de modo geral, cultivando suas crenças e santos católicos.
Desde cedo o caminho do Rio Gravataí, isso já "em 1769, por ordem do governador José Marcelino de Figueiredo [...], segundo documento do século XVIII." [Rosa, 1987, p.26], que ordenou a abertura da primeira rua em Gravataí ate o Porto por onde se dirigiam as pessoas à capela de Viamão e de Rio Grande.
Desse modo já era interessante o movimento nesse local, mas, a ocasião aqui de citaresse aspecto é só para mostrar que as festas de Navegantes são antigas na região e pelo que se pode levantar, durante o século XX, foi anual as procissões de Navegantes apenas tendo sido encerradas em 1971 devido a construção de FreeWay, que praticamente passou em cima da paróquia. Moradores ainda recordam o tempo em que a imagem de navegantes ficava na Escola Anápio Gomes, onde realizavam as missas e ate comunhão.
"[...], sumiu a capela de Nossa Senhora dos Navegantes do Passo das Canoas. Sumiu também o salão paroquial e o Grupo Escolar Anápio Gomes, primeiro local onde a comunidade se reunia" [Correio de Gravataí, 2006, p.17]. Porem, em 1999, iniciaram novamente as comemorações e a renascença da memória dessa comunidade, ajudando a compreender o seu passado, para cultivar a tradição e dar continuidade a construção da identidade e identificação dos moradores, e assim passando a seus descendentes à cultura das procissões e sua crença e sua relação com a existência do rio e sua História local.
Ao mesmo tempo esses indícios a identificação e singularidade dessa comunidade em manter essa tradição portuária que se exerceu no rio e tudo que ambos representam de simbolismo e particularidades para nossa cidade.
"A imagem da santa ficava na Escola Anápio Gomes, onde aconteciam as missas, primeiras comunhões e as festas da comunidade. Depois construíram um salão e as festas passaram a serem feitas ali. Quando a nossa capela estava quase pronta, inventaram a FreeWay e mandaram derrubar tudo." "conta Terezinha." [Correio de Gravataí, 2006, p.17].
Assim com a derrubada e o fim desses locais pode se supor pelos relatos, que no momento a sensação da comunidade foi a de desterro, daquilo que para essa comunidade era parte de sua socialização, assim como o fim do Porto por volta de 1948 significou para essa comunidade uma ruptura em suas relações sociais, a procissão de Nossa Senhora dos navegantes, foi a continuidade dessa primeira fase de desterro da identidade cultural. Então em 1971, pode se considerar a segunda fase de desterro, pois, atinge aquilo que dentro de uma visão culturalista, é mais caro a seus indivíduos em quanto grupo, que é a destruição de seu lugar de culto, não da crença dessas pessoas, mas da destruição dos locais de socialização.
Sabemos que cultura não se decreta, mas sim é um processo longo e cumulativo de saberes a aprendizados materiais e imateriais que a humanidade compartilha entre grupos, entre povos, sem que se obrigue ninguém a nada."A coerência de um hábito cultural somente pode ser analisada a partir do sistema a que pertence." [Laraia, 2005,p. 87]. Então a destruição desse patrimônio material, à igreja e o salão, destróem um longo processo social que não se pode simplesmente apagar da memória, tanto é que esse acontecimento pode-se dizer que foi um choque para a comunidade, com o desaparecimento de seus locais de celebração religiosa, tanto que a procissão de Nossa Senhora dos Navegantes realizada na comunidade, desaparece por vinte e oito anos, voltando somente depois que a comunidade conseguiu se reabilitar pelo passar do tempo, do trauma da perca ou retaliação dos seus locais de sociabilidade.
"A comerciante ainda recorda da procissão de barco chegando pelo rio e, depois Nossa Senhora dos Navegantes sendo levada pelos moradores ate a capela: "A gente subia aquela estrada estreita rezando e cantando. Os foguetes explodiam quando a imagem chegava era muito bonito. E o Passo das canoas também tudo era calmo. Mas no dia da festa a cidade inteira vinha para cá participar da missa, do churrasco e do baile."Lembra." [Correio de Gravataí, 2006, p.17].
Não era simplesmente uma festa comunitária, pelo relato era uma festa para a cidade, que tinha sua atenção voltada para comunidade no dia santo. Pode-se dizer que foi tocado ,não só no sentimento das pessoas da comunidade, como com a cidade acostumada às festas, mexeu na religiosidade como já foi dito, e sobre tudo com a mentalidade das pessoas, já que fica evidente a crença da comunidade em Nossa Senhora dos Navegantes. Percebe-se a relação mais forte entre a fé, o rio e a comunidade, pios recorrem a sue de serem atendidos. "Ela salvou meu filho" afirma dona Terezinha, contando do nascimento prematura de Jorge seu filho mais velho, e com foi mandado para casa desenganado pelos médicos. Só restou a ela e seus familiares se apegarem à padroeira dos navegantes, e não por coincidência, é uma família, onde ela era filha de navegante e seu filho por conseqüência neto de tal, certamente pela sua fé a padroeira não os deixaria desamparados.
"[...] Jorge superou todas as doenças. Hoje é um pedreiro e carpinteiro respeitado no passo das canoas:"eu e minha mãe, Maria Lacy, nos dedicamos para cuidar do Jorge dia e noite. Ele era tão miudinho que a gente dava mamadeira com um conta gotas. Mas foi Nossa Senhora dos Navegantes quem salvou meu filho. Por isso Jorge dede pequeno acompanha a procissão." conta ela." [Correio de Gravataí, 2006, p. 17].
Hoje o retorno da festa de Nossa Senhora dos navegantes, mais que o retorno de uma comemoração católica entre tantas, é sem divida uma volta às origens e celebração da memória coletiva da comunidade do Passo das Canoas e da preservação histórica e cultural de um complexo cultural tão importante para toda a cidade de Gravataí, que em muitas circunstancias, pela mídia e imprensa, órgãos políticos, não procuram aprofundar o estudo sobre por menores da historia, e sempre tentam ver as coisas de maneira ampla, enquanto nos cantos da nossa cidade muitas vezes esta caindo no esquecimento objetos de Memória importantíssimos para a construção da nossa História,. Se Gravataí, hoje é a cidade da qualidade de vida, é por que em seu passado pessoas assim como nós se preocuparam com o futuro. Então a partir de uma historia, vamos dizer assim, não oficial procure-se dar voz para sujeitos que testemunharam de alguma forma o contexto pelo qual Gravataí e seu povo foram sujeitos e objetos dos acontecimentos políticos econômicos culturais e sociais que os anos de 1930 a 1970 foram palco.
Referência:
ADÃO, Duarte t Terezinha Oliveira, testemunho oral. Passo das Canoas, Gravataí. RS,2006.
Correio de Gravataí, Cultura, 23ª edição, 2006.
FÉLIX, Loiva Otero. História e Memória: A problemática da pesquisa. Passo Fundo: Ediupf,1998.
GONÇALVES, Jose Reginaldo Santos. Memória e Patrimônio: ensaios contemporâneos. Rio de Janeiro: DP&A, 2003. [21-29].
LARAIA, Roque de Barros. Cultura um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005
LINHARES, MARIA Ieda (orgn.).História Geral do Brasil. Rio de Janeiro: Campus, 1990.
MARX, Karl. Manifesto do Partido Comunista. São Paulo: Martin Claret, 2002.
Museu Agostinho Martha. Gravataí. Rs. Documentos da 1ª metade do século XX.
PESAVENTO, Sandra Jatahy. RS Economia & Poder nos anos 30. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1980.
ROSA, Jorge. História de Gravataí. Porto Alegre: Edigal, 1987.

SANTANA DO LIVRAMENTO, ECONOMIA E SOCIEDADE NO SÉCULO XX

                                                                                                LUCIANO BRAGA RAMOS
Resumo
A importância deste trabalho, está em poder contribuir para a pesquisa sobre o Município de Santana do Livramento, explicando seu desenvolvimento econômico, assim como seu retrocesso no século XX. Dando ênfase ao papel da Companhia Armour. mostrando vários aspectos que explicam a realidade social, pela qual hoje passa o Município devido a escassez de indústrias de grande porte.

Plavras-chave:  fronteira, economia, desenvolvimento, crise.
A companhia Armour em Livramento
Santana do Livramento, localizada na região da campanha, No Rio Grande do Sul, desde sedo teve sua economia voltada para a agropecuária, sobre tudo para a pecuária extensiva, com o predomínio de grandes latifúndios, voltados para a criação de gado bovino e ovino. O primeiro significou a matéria prima essencial para o movimento da economia do município,sendo o grande fortalecedor das estâncias que abasteciam as charqueadas dos outros municípios, já que o estabelecimento de charqueadas dentro do município de Santana do Livramento se dará tardiamente, no inicio do século XX. (Shäffer, 1993, p.43).
Até a construção de estabelecimentos de abate em Santana do Livramento, o município era só então, criatório de animais, para a reprodução e engorda destinado ao mercado externo de venda do gado em pé, dando características de uma pecuária arcaica com métodos rudimentares de criação em grandes extensões, que nas primeiras décadas do século XX já não condizem com as inovações de produção que começam a se voltar para as exigências do mercado capitalista.
O funcionamento de charqueadas em Santana do Livramento, é recente se comparado aos demais municípios, que desempenhavam tal função a tempo. É só no ano de 1903, que os senhores Pedro Irigoyem e Francisco Anaya, uruguaios vindos de Montevidéu, estabeleceram-se na cidade de livramento. "em 1911 livramento já tinha quatro grandes charqueadas, Livramento constituía-se nesse momento o segundo maior centro de abate do estado, pois estava no centro da maior região de produção pecuária do estado e do Uruguai." (Albornoz, 2000, p.76).
Por outro lado o inicio do século XX marca o aparecimento dos grandes frigoríficos de capital estrangeiro, que enxergavam grandes possibilidades de investimentos lucrativos, tanto no Uruguai, como na região da campanha do Rio Grande do Sul, pois essa região tinha um grande atrativo que era as estâncias produtoras da matéria prima própria para servir os interesses destes investidores. Assim deu-se o estabelecimento de industrias de carnes e derivados, como, a Swift, Armour, Wilson, Morris e Cudahy, foram chamados nos Estados Unidos de o truste da carne. Então em 27 de fevereiro de 1917 instalou-se em Santana do Livramento a Companhia Armour, de capital norte americano com sede em Chicago.
O Frigorífico Armour comprou a charqueada Livramento, no local onde hoje se encontra o grande complexo industrial do frigorífico. Mas não é simplesmente um complexo de um frigorífico qualquer, O Armour também representou um grande complexo social, por comportar ali não só uma empresa mas um formidável contexto social, incomparável na região para aquela época, estabelecendo na sua volta uma sociedade que começou a prosperar e viver em função do Armour, formando um contexto econômico e social que foi importante para o crescimento de Santana do Livramento. No local do frigorífico também existia: O clube social, campo de golf, quadra de tênis, campo de futebol, a casa dos funcionários solteiros com aproximadamente duzentos cômodos, onde ainda hoje encontra-se ex funcionários residindo nela, e as casas dos funcionários de auto escalão, também estas dispostas em quadras e cedidas aos funcionários conforme sua hierarquia. (Pimentel, 1943, p.218).
Claro que todo esse complexo em sua grade parte era destinado para o bem estar dos ditos funcionários de capotes brancos. E uma ínfima parte dessas acomodações para os empregados que formavam a massa de operários, que na sua maioria eram contratados na época da safra, quando as demandas por carnes frigorificadas aumentava gerando aumento de emprego, que diminuía no período denominado safra seca, ande a grande maioria era dispensado.
Para estes funcionários restava usufruir do campo de futebol jogando no time do Armour, este como local de aceitação e da socialização destes funcionários dentro das dependências da empresa. Como local de moradia destes operários destinava-se o local "do outro lado da cerca", (Albornoz, 200, p, 150) onde construíram suas casa de lata, nas circunferências do frigorífico, num loca que a empresa cedia para a construção de tais casas. Estas denominadas casa de lata, por serem forradas com refugo de latas da fábrica de latas que operava dentro das dependências do frigorífico, esses refugos eram vendidos aos operários, que se utilizavam dessa pratica de forrar as casas de madeira com lata para se protegem das baixas temperaturas do inverno da fronteira. Assim o sol esquentava a casa durante o dia e a forração de lata contribuía para a conservação de temperatura durante a noite. Ainda hoje é possível observar tal pratica nos locais limítrofes as dependências do Armour.
O período em que a empresa Armour se instala em Santana do Livramento, no ano de 1917, é justamente o momento em que a Europa esta mergulhada na Primeira Guerra Mundial. Este acontecimento vem a contribuir para o avanço do "truste da carne" na região, pois estes visavam à exportação de carnes e derivados em conserva para a Europa, que no momento tem suas industrias concentradas nos esforços de guerra, assim possibilitando a entrada de industrias no Brasil, e Santana do Livramento se beneficia com a chegada do Armour e seu investimento na cidade. A carne teve uma grande valorização nesse período, o que contribuiu para um maior controle dos rebanhos, inovando transformando sistema de criar gado típico do Rio Grande do Sul. Esse controle que exigia maiores cuidados de seleção, de dosagem de vermífugos e vacinas preventivas, contribuem para o início da pratica dos cercamentos, em conseqüência deste cercamentos vai se ter uma dispensa do emprego de grande número de peões que antes se fazia necessário para lidar com o gado em grandes extensões abertas, "e o êxodo rural teve inicio." (Shäffer, 1993, p.50).
Essas melhorias se refletem na qualidade dos rebanhos atendendo as exigências dos padrões de exportação, tanto que para melhorar as condições de transporte do gado, aos poucos vai se extinguindo as tropas a pé e se da liberação da mão-de-obra dos tropeiros, substituída agora pelos vagões da linha férrea. O Armour vai possuir um terminal ferroviário, numa ligação com o ramal Livramento – Cacequi "da Viação Férrea do Rio Grande do Sul." (Pimentel, 1943, p.219).
Não há duvida que a companhia Armour representava para Santana do livramento a mais importante industria do município, sua instalação deu um novo impulso na economia local, e também para a vizinha cidade de Rivera, movimentando todo o comercio da região, empregando grande numero de funcionários, colocando-se também como a principal fonte de receita dos cofres municipais, pois seus impostos correspondiam a cinqüenta por cento da arrecadação do município. Sua vinda para a cidade modificou os modelos antigos de produção pecuária e também a vida urbana, dando impulso a uma classe operaria assalariada, com leis avançadas para o Estado, vendo que a empresa seguia um padrão de relações com seus funcionários baseado no Estado Oriental vizInho, "seus funcionários e operários os quais dentro do Estado, são os melhores assalariados." (Pimentel, 1943, p.221).
Essa prosperidade de Santana do livramento, muito associada à implantação da companhia Armour, seguiu muito bem durante o período de sua inauguração na cidade, que coincidia com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, e até o final da Segunda em 1945. Esse momento é importante para a industria da carne, já que A companhia Armour exportava em grande escala para todo o mundo, principalmente para os locais de conflito,e também os frigoríficos no sul, mostraram-se locais seguros para os investimentos dos capitais destas companhias estrangeiras, já que para esses lados os negócios prosperavam, em quanto o mundo assistiu num curto espaço de tempo, dois conflitos mundiais, intercalados por uma crise financeira de grandes proporções.
Com o final do segundo conflito mundial os negócios nos frigoríficos do sul começa a declinar, e com a Companhia Armour na cidade de Santana do Livramento não foi diferente. A partir do final da década de quarenta sua produção vai caindo gradativamente, até o fechamento definitivo do frigorífico no inicio da década de noventa
A final de contas , esse capital investido na frigorífico era estrangeiro , não tinha raízes profundas dentro da sociedade santanense, como os tradicionais latifundiários, mas parece que isso não foi avaliado no momento em que tudo que interessava era a prosperidade momentânea, ninguém pensava que o Armour era a única empresa grande dentro do município, que representava oitenta cinco por cento da produção do município. (Albornoz, 2000, p.116). Santana do Livramento vivia um desenvolvimento que não era auto - suficiente, e por isso, tinha limites, que estavam nas mãos do capital estrangeiro.
Esses grupos, bastaram encontrar outras alternativas mais rentáveis que a carne, que sofria uma queda considerável com a baixa das exportações, que desviaram seus investimentos para outros locais, como é de costume das grandes empresas multinacionais,que para elas só interessa o lucro.
Em 1972 ocorre a fusão que forma a Swifft Armour S.A, que em 1989 acaba sendo vendida para o Grupo Bordon, não prosperando em vista da competição com as cooperativas formadas por proprietários na região da fronteira, entra em concordata em 1994 "a empresa bajeense Cicade apoderou-se da swuift Armour, tendo seu presidente declarado ter sido convencido a 'rodar a fabrica' pelo Governador do Rio Grande do Sul, Alceu Colares, recebendo para isso linhas de credito nos bancos estatais. Alegando não ter chegado às suas mãos essa linha de credito, fechou a fabrica" (Albornoz, 2000, p.127/128)
Santana do Livramento atravessa hoje, uma grave crise econômica, que vem se acelerando desde o fechamento do Frigorífico Armour, que pode se dizer era o motor da economia santanense, vendo que não foi tomada nem uma providencia por parte das autoridades governamentais para suprir a falta que faz ao município a presença de uma industria de grande porte, que possa dar emprego,substituindo o Armour nessa função. Pois o que se percebe, é que com o fim das operações do Frigorífico, muitos outros estabelecimentos se ressentiram com a falta dos numerários econômicos que deixaram de girar dentro do comercio local, desestimulando assim o estabelecimento de outras industrias e comércios na cidade. Gerando falta de perspectiva na sociedade local, que vê a saída para seus problemas e prosperidade de seus filhos, a ida para a capital ou outra cidade que tenha condições de empregar esse excesso de mão-de-obra que tem Santana do Livramento, pela falta de locais de trabalho para sua gente, que na falta de recursos, continua o Êxodo do inicio dos cercamentos na fronteira.
Referencias:
Albornoz, Vera Prado Lima
Armour: Uma aposta no pampa.
Santana do Livramento; Editora Sâmara,2000.
Pimentel, F. Aspectos de Livramento
Livraria Continente; Porto Alegre, 1943.
Shäffer, Neiva Otero
Urbanização na fronteira (a expansão de Sant' Ana do Livramento).
Porto Alegre, Ed. Da Universidade /UFRGS/ prefeitura municipal de Sant' Ana do Livramento, 1993.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

DARWINISMO, SURGIMENTO

DARWINISMO
           
            Num século que se destacou pelas descobertas da ciência, talvez mais importante que o progresso cientifico tenha sido a teoria da evolução, formulada pelo naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882). Darwin fez pela sua disciplina o que Newton fizera pela física, transformou a biologia numa ciência objetiva, baseada em princípios gerais. A revolução cientifica do século            XVII dera as pessoas uma nova concepção de espaço; Darwin alterou radicalmente nossa concepção de tempo e vida biológica, inclusive as origens humanas.
Seleção Natural
            Durante o século XVIII, quase todos os pensadores haviam aceitado a explicação bíblica da criação contida no Gênese, segundo a qual Deus criara instantaneamente o universo e as varias espécies vegetais e animais. Tudo isso se acreditava teria ocorrido há cerca de seis mil anos.
            Durante cinco anos de expedição, Darwin colecionou e examinou espécies de vida animal e vegetal. Concluiu então que muitas espécies animais tinham se extinguido, que outras nonas haviam surgido e que havia elo entre as espécies extintas e as vivas. Em “A origem das espécies” (1859), Darwin utilizou evidencias empíricas para mostrar que a ampla variedade de espécies animais devia-se a um processo de desenvolvimento de muitos milênios, e apresentou uma convincente teoria que explicava como a evolução opera.
            Segundo Darwin, o principio da seleção natural determina quais membros da espécie tem mais chance de sobreviver. As crias de um leão, de uma girafa ou de um inseto não são duplicações a de seus pais. O filhote de leão pode ter um potencial ligeiramente mais rápido ou mais forte que o dos pais; o de uma girafa pode desenvolver um pescoço mais comprido que o dos pais; e o inseto pode ter a cor levemente modificada.
            Essas pequenas variações aleatórias dão ao organismo uma vantagem importantíssima na luta pelo alimento, e contra os inimigos naturais. O organismo favorecido pela natureza tem mais probabilidade de alcançar a maturidade. Após muitas gerações, a característica favorável torna-se mais pronunciada e mais difundida nas espécies. Com o passar do tempo a seleção natural elimina as espécies antigas, menos adaptáveis, e produz outras novas.         
Darwinismo social
As teorias de Darwin estenderam-se a outros campos de estudo. Alguns pensadores sociais, que imprudentemente aplicaram as conclusões darwinianas à ordem social, produziram teorias que tiveram conseqüências perigosas para a sociedade. Os darwinistas sociais usaram o termo “luta pela existência” e “sobrevivência do mais capaz” para apoiar o brutal individualismo econômico e o conservadorismo político. Os empresários bem sucedidos, afirmavam eles, haviam demonstrado sua capacidade de vitoria no mundo competitivo dos negócios. Seu êxito estava em harmonia com as leis naturais e era, portanto, beneficio a sociedade; os que fracassavam na luta socioeconômica demonstravam sua incapacidade. O fracasso, que tradicionalmente havia sido atribuído à iniqüidade humana ou ao desígnio de Deus, agora era associado a um dom hereditário inferior.
Ao usarem o modelo darwinista da evolução e transformação lentas dos organismos, através de dezenas de milhares de anos, os conservadores insistiam em que a sociedade devia também transformar-se em ritmo lento. As reformas imediatistas contrariavam as leis naturais e a sabedoria e resultavam numa deterioração do corpo social.
A aplicação da biologia de Darwin ao mundo social, com a qual ela não se harmonizava, também fortaleceu o imperialismo, o racismo, os nacionalismos o militarismo. Os darwinistas sociais insistiam em que as nações e as raças estavam empenhadas numa luta pela sobrevivência, em que apenas o mais capaz sobrevive e merece sobreviver. Pensadores da época chegaram a conclusões como: “A história mostra-nos apenas um caminho, e um caminho apenas, em que se produziu um estado mais elevado de civilização, Istoé, a luta entre raças e a sobrevivência da raça física e mentalmente mais capaz.” “Devemos obedecer a nosso sangue e ocupar novos mercados e, se necessário, novas terras.” “A guerra é uma necessidade biológica de primeira importância.”
A biologia darwiniana foi usada para promover a crença na superioridade das raças. O crescimento do império britânico, a expansão dos Estados Unidos para o Pacifico e a extensão do poderio alemão foram atribuídos as qualidades raciais desses povos. A dominação de outros foi considera como o direito da raça superior.
Ao programarem a versão “unhas e dentes” das relações internacionais e humanas, os darwinistas sociais descartaram a visão humanística e cosmopolita dos iluministas e distorceram a imagem de progresso. Seus pontos de vista promoveram o engrandecimento territorial e a formação militar e levaram muitas pessoas a acolherem bem a Primeira Guerra Mundial. As noções darwinistas social da luta das raças pela sobrevivência tornam-se doutrina fundamental do partido nazista após a Primeira Guerra e forneceu a justificativa cientifica e ética para o genocídio.
REFERÊNCIAS:
PERRY, Marvin. Cilização ocidental. Uma história concisa. São Paulo: Martins Fontes,2000.

Sugestão de Avaliação de História para o 6º ano

  NOME: _________________________________________________ TURMA:______ DATA: ____/_____/_____ PROFESOR: Luciano Braga Ramos AVALIAÇÃO DE HIS...